sábado, 8 de maio de 2010

Os inimigos da Luz




Ir.˙. Paulo Moura*

Dizem que o poeta alemão J. W. von Goethe, no leito de morte, reuniu o que lhe restavam de forças para pronunciar suas últimas palavras, que ficariam para a posteridade: “Luz, quero luz!” Perdoem-me a imprecisão histórica quando escrevo “dizem” mas de imprecisões a História está repleta, malgrado o esforço de homens sérios e comprometidos com a honestidade dos fatos.

Também em Maçonaria as imprecisões históricas avultam e não é tarefa fácil separar o joio do trigo. Entretanto, cabe ao Maçom a compreensão e o entendimento da Ordem a qual pertence, tornando-se um eterno buscador da Verdade. A Verdade é, filosoficamente, contestável, mas nem por isso desprovida de existência real. Buscar a Verdade é um impulso instintivo do Homem e mesmo que não a busque conscientemente, será guiado por forças da sua mente inconsciente – que Jung chamou de “tendências instintivas” – que se manifestará nos sonhos como fantasias reveladas através de imagens simbólicas. É imperioso sair do mundo das sombras - tão bem simbolizado por Platão no “Mito da caverna” – e ir ao encontro da Luz.

Assim nos encontrávamos na Cam.˙. de Ref.˙. . Imersos na escuridão, batíamos profanamente à porta do Templo consagrado ao G.˙.A.˙.D.˙.U.˙., na esperança de sermos admitidos nos AAug.˙. MMist.˙. . Buscávamos a Luz.

O primeiro ato da Criação Divina, o “Fiat Lux”, mostra-nos que a Luz precede a existência do mundo das formas; é a origem comum a todas as coisas. Não podemos deixar de fazer a relação entre o texto do Gênesis: 1, 1-3 com a revolucionária Teoria Geral da Relatividade, enunciada pelo gênio Albert Einstein, em 1905: E=M.C² (energia é igual a massa vezes velocidade da luz ao quadrado). Grosso modo, seria o mesmo que dizer que matéria é energia coagulada. Afinal, tanto a Religião quanto a Ciência chegaram à conclusão de que tudo é Luz.

Simbolicamente, a Luz representa o conhecimento; a revelação dos mistérios das Leis Divinas; a sabedoria imanente; a libertação das amarras da ignorância pela compreensão de quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Na cerimônia de Iniciação, pede-se a Luz para o neófito e a Luz lhe é dada. A partir de então, o neófito passa à condição de Iniciado e cabe-lhe envidar todos os esforços para se melhorar. A jornada começa com o desbaste das arestas morais, num esforço para vencer suas paixões inferiores, lapidando-se paciente e diuturnamente com o concurso da vontade firme e da inteligência, representados pelo cinzel e pelo maço. Nesse esforço, cumpre-lhe trabalhar sem descanso para livrar-se das suas imperfeições. É uma tarefa individual, porém, não prescinde da colaboração dos IIr.˙. que o ajudam com lições, conselhos e orientações lastreados em suas experiências e vivências maçônicas. Essa ajuda faz parte do processo de aprendizagem, concretizando um dos nossos mais sublimes preceitos: a Fraternidade.

Tudo que devemos aprender, e fazer, encontra-se no Ritual de Aprendiz, dizem-nos os Mestres mais experientes. É verdade. Está tudo no Ritual e basta uma reflexão profunda com o sincero interesse em adquirir instrução. Tomemos um exemplo:
O Ven.˙. M.˙. pergunta ao Ir.˙. 1° Vig.˙. , na abertura ritualística:
“— Para que nos reunimos aqui, Ir.˙. 1° Vig.˙.?
— Para combater o despotismo, a ignorância, os preconceitos e os erros. Para glorificar a Verdade e a Justiça; para promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade, levantando templos à Virtude e cavando masmorras ao vício”.
Vamos refletir sobre cada frase.

Combater o despotismo – Pela definição do Dicionário Houaiss, despotismo é “o poder isolado, arbitrário e absoluto de um déspota.” O déspota, ainda na definição do Houaiss significa “que ou quem age tiranicamente, embora não detenha o poder absoluto”. O despotismo deve ser combatido onde quer que este se encontre: dentro ou fora do Templo.

A ignorância – é a causa de vários males que afligem a Humanidade. Ignorância é viver imerso em sombras, desconhecendo as Leis Morais que governam a todos, favorecendo a harmonia geral. O estudo sério e metódico é uma das formas mais eficazes de combatê-la. Erra demasiadamente o Maçom que não é dado ao estudo, à pesquisa e à inquirição da Verdade. A Maçonaria não revela seus segredos àqueles que cultivam, com zelo, a preguiça mental e abdicam do sagrado direito de pensar por si próprios.

Os preconceitos e os erros – Imaginemos os preconceitos e os erros como filhos diletos da Ignorância, donde retiram o seu alimento e o sustento para crescerem fortes. Desde que se combata a Ignorância, exterminando-a, condenam-se os preconceitos e os erros a morrerem de inanição.

Glorificar a Verdade e a Justiça – Ao compreender a Verdade e a Justiça como atributos Divinos, torna-se dever do Maçom glorificá-las, nunca esquecendo de aplicá-las no convívio com os seus semelhantes. Quem combate a ignorância com as luzes da Sabedoria conhece a Verdade; quem conhece a Verdade é Justo. Tal é a perfeição do ensinamento.

Promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade – Todo conhecimento adquirido só tem sentido, se compartilhado. Age maçonicamente quem é consciente de seu papel como cidadão brasileiro e como cidadão do mundo, fazendo todo esforço para melhorar a existência, contribuindo para a Obra da Luz.

Levantando templos à Virtude – É trabalho de construção. Nós, Maçons, somos construtores sociais e a nossa obra maior consiste na edificação das virtudes em nós mesmos.

Cavando masmorras ao vício – Ao mesmo tempo que erigimos nosso Templo Interior, para a glória do G.˙.A.˙.D.˙.U.˙., suplantamos os vícios de que somos portadores, dominando-os e torturando-os até a extinção.

Eis o porque de nos reunirmos em Loja aberta.

Quem agir com despotismo querendo impor a sua vontade, cerceando a liberdade e as iniciativas benfazejas dos IIrm.˙....

Quem desejar manter-se e manter os IIrm.˙. na ignorância, descuidando ou desmerecendo as iniciativas que promovam o estudo e a prática da Sagrada Maçonaria...

Quem, por misoneísmo, rechaçar as ações inovadoras e as ideias progressistas apenas para manter uma tradição obsoleta ou o status quo...

Quem esquecer que a Verdade e a Justiça são atributos do G.˙.A.˙.D.˙.U.˙. e delas fizer pouco caso, disseminando a mentira e promovendo injustiças...

Quem não se comprometer com o bem-estar de seus IIrm.˙., da sua família, da sua cidade, do seu país e do mundo...

Quem persistir nos vícios e desregramentos morais e tornar-se um estorvo no caminho dos IIrm.˙. que buscam melhorar-se, envolvendo-o em intrigas, calúnias e difamações, atacando-os em suas ausências e maquinando para vê-los cair...

Quem assim proceder, a despeito de ser Iniciado, não é Maçom. É um simulacro de homem; é um espectro danado que nos espreita.

É mais um inimigo da Luz.


Or.˙. Teresina, 10 de dezembro de 2009 E.˙.V.˙.

domingo, 19 de julho de 2009

Reflexões



Sou um devedor... Bem, a palavra devedor não se aplica bem a minha pessoa, o que se aplica mesmo é a palavra credor!
Emprestei aos meus amigos muito silêncio, quantidade imensa de impaciências e vultosas quantias de aborrecimentos.
Agora fico a cobrar tudo que emprestei, pois não é que termino por receber até com juros dobrados?
Como posso matutar com meus botões, Cadê a amizade de fulano? Para onde foi à paciência de sicrano? Porque se aborrece tanto beltrano? Ora, ora, eu os quebrei, meus juros foram altos demais.
Corri então para os livros de matemática, física, sociologia e filosofia, à procura de conselhos nas lições práticas das ciências exatas e nas lições filosóficas subjetivas dos sábios do passado e contemporâneos... Todo o processo de pesquisa terminou por bifurcar nos textos bíblicos de Mateus, capítulos 5 a 7.
Mas como posso ter passado por esses ensinamentos centenas de vezes, nas missas, nos cultos evangélicos, nas leituras da bíblia e quase nada ter colhido?
Tão forte fica em mim a certeza de que os amigos mudaram, pois sumiram e eu não tive culpa no processo, afinal sempre achei estar em ponto certo, pronto a servi-los. Assim a minha empáfia me consola e apazigua a minha consciência.
Reflito então o final do primeiro parágrafo deste texto e, passando a fazer a contabilidade na conformidade dessa ciência, registrando os ativos e passivos, verifico o livro contábil prudentemente, descubro que sou devedor de valores diferentes dos enumerados no parágrafo dois.
Os resultados positivos apresentados, na realidade, foram doações voluntárias dos que por mim têm amizade.
No rodapé do livro, campo reservado às observações, consta somente “Mateus 7:12”


Por João Sales Neto M.:M.:
. . .

domingo, 3 de maio de 2009

"Vergonha de ser honesto"



Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “eu” feliz a qualquer custo, buscando a tal “felicidade” em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar o meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos “floreios” para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre “contestar”, voltar atrás e mudar o futuro. Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredado por caminhos que não quero percorrer... Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade. Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro! De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

(Rui Barbosa, 1914)

segunda-feira, 6 de abril de 2009



CARIDADE II N° 0135 INAUGURA SALAS DA SECRETARIA
E DO GRUPO DE ESTUDOS MAÇÔNICOS ABDIAS NEVES


O Venerável da Loja Caridade II, n° 0135, Ir.: Fernando Ferreira Fontes de Morais, em sessão realizada no dia 06/03/2009 - ainda como parte das comemorações do sesquicentenário da Maçonaria Piauiense - fez a entrega das salas destinadas à Secretaria e ao Grupo de Estudos Maçônicos Abdias Neves. Durante a sessão, após a leitura dos atos, os Irmãos João Sales Neto, Secretário, e Paulo Fernandes Moura, idealizador do Grupo de Estudos, receberam das mãos do Venerável as chaves das salas.
O Venerável falou da importância da criação do Grupo de Estudos Maçônicos Abdias Neves para a Loja Caridade II e também para a Maçonaria piauiense: “O Grupo de Estudos terá um papel de destaque porque a pesquisa e a produção de textos irão enriquecer a nossa cultura maçônica.” Falou também da necessidade de a Secretaria da Loja funcionar em ambiente adequado para que a sua organização seja mais eficiente.
Logo após a sessão, todos os Irmãos presentes se dirigiram para o segundo pavimento da Loja, onde foi feita a visita às novas instalações. Na oportunidade, o Secretário Irmão João Sales Neto, disse: “Sinto-me feliz em receber a sala da Secretaria devidamente climatizada e equipada com mesas, cadeiras, estantes e armários. Agradeço ao Venerável Fernando Morais por preocupar-se com esses detalhes tão significativos para a organização da nossa querida Loja.” O Irmão Paulo Moura também manifestou a sua gratidão: “O Grupo de Estudos Maçônicos Abdias Neves é uma realidade, graças ao apoio e à sensibilidade de nosso Venerável Mestre que teve a lúcida visão de que a obra mais importante na Maçonaria é a construção do templo interior. O nosso grupo de estudos poderá contribuir muito para essa nobre empreitada”, enfatizou.
Em seguida, as cunhadas da Fraternidade Feminina Mensageiras da Paz receberam homenagens pela passagem do Dia Internacional da Mulher.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Produção do GEM

A IGUALDADE

Igualdade é a inexistência de diferenças entre dois ou mais elementos comparados, sejam objetos, indivíduos, idéias, conceitos ou quaisquer coisas que se comparem.
Em sua concepção clássica, a idéia de sociedade igualitária começou a ser cunhada durante o Iluminismo, para idealizar uma realidade em que não houvesse distinção jurídica entre nobreza, burguesia, clero e escravos. Mais recentemente, o conceito foi ampliado para incluir também a igualdade de direitos entre gêneros, classes, etnias, etc.
Durante a Revolução Francesa, o termo igualdade compunha a palavra-de-ordem dos revolucionários, Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Juridicamente, a igualdade é uma norma que impõe tratar todos da mesma maneira. Mas a partir desse conceito inicial, temos muitos desdobramentos e incertezas. A regra básica é que os iguais devem ser tratados da mesma forma . Mas como devemos tratar os desiguais, por exemplo, os ricos e os pobres. Fala-se em igualdade formal quando todos são tratados da mesma maneira e em igualdade material quando os mais fracos recebem um tratamento especial no intuito de se aproximar aos mais fortes.
Igualdade formal, nascida com a Revolução Francesa e desenvolvida ao longo dos séculos XVIII e XIX, a igualdade formal consiste no aforismo todos são iguais perante a lei. Almeja submeter todas as pessoas físicas e jurídicas ao império da lei e do direito, sem discriminação quanto a credos, raças, ideologias e características socioeconômicas, opondo-se a privilégios legais baseados no status social e prestígio político.
Igualdade material, de influência socialista, desenvolvida a partir da segunda metade do século XIX, se volta a diminuir as desigualdades sociais, traduzindo o aforismo tratar os desiguais na medida da sua desigualdade, a fim de oferecer proteção jurídica especial a parcelas da sociedade que costumam, ao longo da história, figurar em situação de desvantagem, a exemplo dos trabalhadores, consumidores, população de baixa renda, menores e mulheres.Nesse contexto enquadra-se as leis de atendimento aos desiguais que visa o tratamento diferenciado a idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo ou deficientes físicos,em filas, por exemplo.
A mais alta expressão do conceito de igualdade localiza-se no interior do templo maçônico, nele está o pavimento mosaico, colocado no piso do ocidente e formado por quadrados negros e brancos alternados que simbolizam:
Exotericamente, o ideal de convivência harmônica entre os elementos opostos, contrários ou desiguais (ateus e teístas, liberais e conservadores, negros e brancos, líderes e liderados, iniciados e profanos, ricos e pobres).
Esotericamente, a eterna luta, no Universo Manifestado, da dualidade ou polaridade (Luz e trevas, Bem e mal, Solar e lunar, Yin e Yang, Positivo e negativo, Matéria e espírito). A dualidade se traduz, em última análise, no privilégio da escolha, no dom do livre-arbítrio que nos foi concedido pelo Supremo Criador.Eis aqui vários pontos opostos que dominam o mundo relativo, sendo relativos do ponto de vista da consistência, existindo cada um deles unicamente em relação ao outro e dissolvendo-se na diáfana perfeição do absoluto, princípio harmônico e igualitário, infinitamente justo e bom o grande arquiteto do universo, que é Deus.
O simbolismo do pavimento mosaico denota-nos a seguinte definição resumida:
“Qualquer ação faz nascer uma reação, que vem logo estabelecer o equilíbrio momentaneamente rompido”
Da mesma forma que o piso o Céu maçônico não é igual, não há uniformidade: ele é escuro no norte onde ficam os Aprendizes, que ainda não conseguem suportar muita Luz porque vieram recentemente das trevas do mundo profano.No Sul há um pouco mais de luminosidade, lá ficam os irmãos companheiros e o irmão 2º vigilante que nos instrui olhando para o topo da coluna do norte. No Oriente a luminosidade é plena, pois é de lá que vem a Luz.
O nível é a jóia do vigilante da minha coluna de aprendiz. Ele representa a igualdade (nivelamento) que deve haver entre todos os irmãos da Loja e também, por extensão, entre todos os homens da Terra..Tem uma tradição e uma força muito grande dentro da simbologia maçônica.Como parte do triângulo, um dos tripés que sustentam toda a estrututra filosófica de nossa ordem, ele é o emblema de um dos maiores princípios da maçonaria.Aquele que foi emprestado para a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aquele que considera todos os homens iguais, independentemente de crenças religiosas, credos políticos, raças ou condição social. É o nível que nos faz tratarmos como irmãos, e, em nossos templos, sentarmos lado a lado, patrão e empregado, pai e filho, general e tenente, rico e pobre, sem nenhuma pretensão ou distinção.
HAYLTON MARCELO SOARES LIMA
APR.’. M.’.



BIBLIOGRAFIA

OUTEIRO ,M.J.Pinto.Do meio-dia à meia-noite compêndios maçônicos do primeiro grau.São Paulo:Madras, 2007.

CONTE,Carlos Basílio.A doutrina maçônica no grau de aprendiz.São Paulo:Madras,2005.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Nasci, morri, renasci

Caminhava eu de olhos vendados e, conseqüentemente, de passos perdidos sem nada ouvir e sem nada falar, sem rumo, sem saber de onde vinha e nem aonde chegaria.
Mas como sempre tive o coração sensível ao Bem, um irmão me reconheceu e me estendeu a mão para que eu não me perdesse. Agora, não sou mais induzido pelas paixões e vícios. Fui guiado inicialmente às reflexões.

Na Cam.˙. das RRef.˙., meus olhos, ansiosos por luz, foram desvendados. Encontrei-me sozinho e indefeso, num local escuro, sombrio e cheio de símbolos mortais. Não me assustei. Tranqüilo, deduzi que tinha de decifrá-los para viver. Porém, na medida em que refletia, o medo se aproximava. Um medo que parecia anunciar a minha morte. E a morte sorriu, ironicamente, para mim. Naquele instante, minha vida inteira passou como num filme, que a mente poderosamente transcodificou em um segundo retroativo, até o dia em que nasci. E agora? Estou sozinho, preso, não tenho nada nem aonde buscar nada, nenhuma força! Vou morrer? Quanto tempo ainda tenho? A ampulheta parecia delimitar o meu tempo. O tempo não tem templo nem o templo, tempo. Tudo ao redor olhava para mim como a conduzir-me à morte. Espetei o meu Test.˙.na ponta da Esp.˙. de quem não vi o rosto que, encapuzado, partiu. AFLIÇÃO! Lembrei-me de minha esposa e senti que ela rezava por mim; lembrei-me de meus filhos, conscientizei-me de que só tenho eles por mim e é para eles que deixo os meus bens. Lembrei-me de Deus; lembrei-me do meu pai e do meu irmão que só querem o meu bem, que por aqui passaram e não morreram. Não morreram? Senti Deus refazendo minhas forças, minha fé.

Agora, sou outro homem. Nasci de novo; nasci só para o Bem, em busca da Verdade para ajudar na construção do G.˙.A.˙.D.˙.U.˙.. A construção de um mundo justo e perfeito para mim, minha família, para os meus irmãos e para todos. Agora, sou útil e feliz em Deus.

O templo se estendeu. Todos aqueles símbolos que representavam a morte, agora simbolizam a vida; a vida real que não morre jamais. Quando o galo, atento e vigilante canta, anuncia o nascimento de um novo dia. Anuncia o nascimento de Cristo e também o meu renascimento para que, de agora em diante, cumpra o meu papel com vigilância e perseverança.

Teresina, 31/10/2008. E.˙.V.˙.

Marcos Carocas.`.
Apr.˙.M.˙.
do GEM Abdias Neves

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

EE.UU.

Quase lá, quase um sonho, quase era agora...quase Obama.

Adentrando o Templo

Em Maçonaria, pelo que nos é apresentado no 1º Grau, a Marc.˙. é uma das primeiras instruções que nos passam. A Marc.˙., acompanhada dos sinais especiais, é obrigatória para todos os maçons que entram no templo quando os trabalhos são abertos. O significado maçônico da Marc.˙. corresponde à técnica adotada para o candidato à perfeição caminhar do Oc.˙. para o Or.˙. isto é, das trevas para a Luz. Para o Apr.˙. M.˙. há certos termos e Sin.˙., uns mais utilizados e outros menos que, apesar de ritualisticamente serem repetidos em todas as Ses.˙., ficamos a ver navios, sem entender quase nada dos significados e da essência espiritual dos mesmos. Talvez por acanhamento e por ser a Maçonaria, ainda, um mundo novo e cheio de mistérios que estamos penetrando, é normal ficarmos com certo receio em pedir explicações em Loja sobre a essência dessas palavras que aqui vou denominá-las de dádivas maçônicas, pois compreendê-las melhor, não tanto o quanto necessário, mas o primordial para se começar a entender e formar a lógica.

A Marc.˙. do Apr.˙. é composta de T.˙. PPas.˙. iguais e retilíneos, formando uma Esq.˙., começando com o P.˙. E.˙. e apoiado pelo D.˙., porque ele foi colocado no “caminho certo”, porque foi “iniciado”. O Esq.˙. representa, fundamentalmente, a faculdade do juízo que nos permite comprovar a retidão ou a sua falta, ou seja, a forma cúbica das seis faces que tratamos de lapidar a pedra bruta, assim como a de suas arestas e dos oito ângulos triedros nos quais elas se unem, como o objetivo de fazer com que a pedra se torne retangular, como deve ser toda pedra destinada a formar parte de um edifício.

É por intermédio do Esq.˙. que nossos esforços para realizar o ideal ao qual nos propusemos podem ser constantemente comprovados e retificados. Isto é feito de maneira que estejam realmente encaminhados na direção do ideal e que a cada passo do P.˙. E.˙. (passividade, inteligência, pensamento), deve corresponder um igual passo do P.˙. D.˙. (atividade, vontade, ação) em Esq.˙., ou seja, em acordo perfeito com o primeiro.

Reportando-se ao zodíaco, os seus T.˙. PPas.˙. correspondem aos signos, Carneiro, Touro e Gêmeos. No primeiro Pas.˙., correspondente a o signo do Carneiro que está sob a influência de Marte, evoca a idéia de “luta”. Touro, que inspira o segundo, exprime o trabalho perseverante e desinteressado. Quanto a Gêmeos, que está sob a influência de Mercúrio, é considerado signo da fraternidade. Se nos reportarmos aos elementos, o Carneiro é o signo do fogo; Touro, o signo da terra e Gêmeos, o signo do ar. Indicando o primeiro Pas.˙., o ardor; o segundo, a concentração e o terceiro, a inteligência.

Os T.˙. PPas.˙. de sua Marc.˙., os T.˙. AA.˙. do Apr.˙. e, ainda lembrando, as T.˙. VViag.˙. da Ini.˙. são evidentemente o símbolo do Tríp.˙. período que marcará as etapas de seu estudo e de seu progresso maçônico.

Há também, evidente referência dos T.˙. PPas.˙. do Apr.˙. ao conhecimento dos T.˙. PPrim.˙. "números" ou princípios matemáticos do universo: o número um, ou seja, a unidade do todo; o número dois, ou seja, a dualidade da manifestação, e o número três, ou seja, o ternário da perfeição.

Para podermos atingir a perfeição e podermos caminhar do Ocidente para o Oriente devemos, primeiramente, ser iniciados dando assim o primeiro passo na busca do conhecimento.

Com base na simbologia maçônica da Marc.˙. na retidão do Esq.˙. e no trabalho perseverante possamos, cada vez mais, nos desbastar a fim de nos tornarmos uma P.˙. Pol.˙., e que todo o símbolo, todo o rito (que são os símbolos em ação) perdem o seu valor e não passam de “afetação” desde que deixam de ser respeitados exatamente como deveriam ser.


Emanuel Barbosa Coimbra – Apr.˙. Maçom

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pescado do blog do Castelo

'Frustrado é o aprendiz 
que não supera o mestre, 
insuperável é o mestre
que se considera 
sempre um aprendiz'. 

(desconhecido)

vejam no blog: http://castbranco.blogspot.com

Bom pra ler, melhor pra refletir


ARROGÂNCIA

 Um calouro muito arrogante, que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor já maduro, próximo dele, por que era impossível a alguém da velha geração entender esta geração. 

'Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo', o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo. 

'Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento e ....,' numa pausa para tomar outro gole de cerveja. 

O senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:

-'Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando nós éramos  jovens... por isso nós as inventamos. 

E você, um bostinha arrogante dos dias de hoje, o que você está fazendo para a próxima geração?' 

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Memória



1858

No calendário Hebreu, 5618; no calendário Islâmico, 1274. Não é um ano bissexto; não é um número primo.

A Europa começava a sentir os primeiros efeitos da Revolução Industrial, que mudaria a face do mundo.

Com a Revolução Francesa, em 1789, nascia também Auguste Comte o pai do Positivismo. Comte faleceria em 1857, mas o Positivismo já havia estendido os seus galhos frondosos sobre o pensamento Ocidental. O Positivismo é um sistema de valores adaptados à emergente civilização industrial, valorizando o homem, a paz e a concórdia universal. Os postulados de Comte tiveram influência fundamental nos eventos que levariam à Proclamação da República no Brasil. A conformação atual da Bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência na política nacional, onde se lê a máxima política positivista “Ordem e Progresso”, surgida a partir da divisa elaborada por Auguste Comte: “O Amor por princípio; a Ordem por base e o Progresso por fim”.

Allan Kardec publica a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, contendo as bases filosóficas do Espiritismo. Também funda, nesse ano, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, inaugurando para a Humanidade uma Nova Era do conhecimento transcendental.

1858 foi um ano fértil. Nasceram pessoas iluminadas que contribuiriam com suas idéias e os seus trabalhos para o progresso da humanidade.

Nasce Emmeline Gould, uma das fundadoras do Movimento Sufragista na Europa, que reivindicava o direito do voto à mulher.

Nasce em abril, Max Planck que viria a ser o pai da Teoria Quântica com a descoberta da radiação térmica, chamada Lei de Planck da Radiação, em 1900. Dez anos depois, com a colaboração de Albert Einstein surgia a Teoria Quântica.

A Teoria da Relatividade talvez sofresse um atraso ou, quem sabe, nem seria formulada se, em fevereiro de 1858, não tivesse nascido Pauline Koch, mãe de Albert Einstein.

Em julho, é usado pela primeira vez as impressões digitais para identificação de pessoas com o objetivo de autenticar contratos e documentos legais. A idéia foi de William James Herschel. O piauiense Félix Pacheco foi o pioneiro defensor da introdução no Brasil do método de identificação pelas impressões digitais, chamado papiloscopia. Foi também o fundador e primeiro diretor do Gabinete de Identificação e Estatística da Polícia do Distrito Federal, hoje, Instituto Félix Pacheco.

Nascem: o filósofo Emile Durkheim, Theodore Roosevelt presidente americano e Prêmio Nobel da Paz e Rudolph Diesel o inventor dos motores diesel. A música clássica ganharia uma contribuição de talento com o nascimento de Giacomo Puccini.

Morre o pintor alemão Johann Moritz Rugendas, que retratou com arte o cotidiano do Brasil Colonial.

O mundo cristão seria surpreendido com a notícia da primeira aparição da Virgem Maria a Bernadete Soubirous.

No Brasil, o Segundo Reinado é dominado por dois partidos políticos: Liberais e Conservadores. Dom Pedro II iria formar seu ministério com os Liberais, que lutaram pela antecipação da maioridade do Imperador.

O café era a riqueza nacional, fazendo surgir a classe social mais rica e poderosa do Brasil. Os barões do café, como ficariam conhecidos, tiveram grande influência na vida econômica e política do país.

O Conselheiro José Antônio Saraiva, baiano de Santo Amaro, fundara a primeira capital planejada do Brasil há apenas seis anos. Teresina, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina, dava seus primeiros passos como a nova capital do Piauí.

Empolgados com as idéias progressistas que embalavam o pensamento do mundo Ocidental, os piauienses fundaram a Companhia de Navegação do Rio Parnaíba e mandaram construir o barco a vapor “Uruçuí” no estaleiro de Ponta de Areia, no Rio de Janeiro. O “Uruçuí” fora recebido com festa e entusiasmo pela população em 1859. O governo provincial era exercido por João de Oliveira Junqueira.

Teresina era uma capital em construção. A sociedade local ganharia o seu primeiro teatro, local de festas, recepções e comemorações cívicas, além de espetáculos teatrais. Em 1858 era inaugurado o Teatro Santa Teresinha (atual FUNDAC) localizado na Praça da Constituição (atual Praça Marechal Deodoro).

A nova capital não possuía hospital. A Santa Casa de Misericórdia só seria construída em 1860.

Também não havia mercado nem cemitério, construídos somente em 1866, juntamente com a Cadeia Pública, onde hoje funciona o Ginásio de Esportes Verdão.

O povo comemoraria com festa a inauguração da iluminação pública a querosene da Praça da Constituição.

A primeira farmácia, chamada Botica do Povo é inaugurada na Praça Uruguaiana, hoje Praça Rio Branco.

A história da nova capital do Piauí começava a ser escrita com o trabalho e o suor dos piauienses e a confiança depositada nos ideais de progresso que o mundo disseminava com a Revolução Industrial. Uma nova ordem mundial se estabelecia, separando a sociedade feudal da capitalista. A substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela força motriz e o modo de produção doméstico pelo sistema fabril. A sociedade sofreria enorme impacto na sua estrutura, influenciando o modo de agir e de pensar o mundo.

Foram os ventos do progresso que trouxeram Irmãos do vizinho Estado do Maranhão, da Loja Maçônica Humanidade e Concórdia, para erguerem um Templo à Virtude, um altar à Liberdade. Em 29 de outubro de 1858, surgia a Loja-mãe da Maçonaria Piauiense.

Nascia a Caridade II.

 

 

 

Paulo Moura - M.˙.M.˙.

Do Grupo de Estudos Maçônicos Abdias Neves

Caridade II – N° 0135

 

 

 

Vale a pena ler de novo

O Paradoxo do Nosso Tempo

George Carlin

Nós bebemos demais, gastamos sem critérios,
Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente vamos a igreja.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.

Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. 
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. 
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de
caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. 
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares
despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das
rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. 
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre. 
Lembre-se dar um abraço carinhoso   em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer 'eu te amo' à sua companheira (o) e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame... se ame muito. 
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize   sua familia e as pessoas que estão ao seu lado, sempre.
 


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Reflexões

Na caverna em que me encontrava

Após certo tempo de meditação e escuridão em que me encontrava, enorme era o desejo de obter a Luz. No entanto, antes desta, várias provas me aguardavam. A primeira e, talvez, a de maior importância em toda a liturgia de Iniciação, haja vista seu escopo, que é de conduzir, o então profano a uma verdadeira e profunda reflexão, sendo também a etapa final de uma vida, não sabia eu que estava prestes a adentrar em uma caverna e lá deveria deixar toda minha velha vida pra trás.

Mas quando chamado à C.˙. das R.˙., despojado de todas as meus metais e despido de todas as vaidades, senti uma enorme segurança, o timbre grave e intenso da voz que me convocou foi que causou em mim tal sensação, tive a certeza de que estaria seguro.

Paredes negras, escritos fortes, pão, água, o tempo representado, a vigilância e a perseverança, símbolos que visam conduzir o neófito até o mais profundo de seu eu e a verificar a fragilidade da vida humana, passando a valorizar as virtudes do homem, em detrimento do que avilte contra a moral e os bons costumes.

Lá chegando, pude perceber a profundidade de seus símbolos. A primeira idéia que me veio à mente foi a da morte. Concebi que o encontro com aquela temida senhora de preto estava próximo. À minha frente havia uma crânio e um estranho Test.˙.. Busquei meditar um pouco mais, e entendi que estava no limiar de uma nova vida; todo o passado já não importava mais. Constatei que me foi dada a oportunidade de deixar na C.˙. das R.˙. toda o meu pretérito — perfeito ou imperfeito — e que dali em diante não seria mais o mesmo Bruno de outrora, mas sim, um homem que a cada dia procuraria fazer o bem e ser melhor.

Esforcei-me em descer ao mais profundo do meu ser e tentei encontrar a minha pedra oculta, aquela que deveria trabalhar para aprimorar meu caráter, onde poderia construir uma nova personalidade. Em verdade, na ocasião, ainda tomado pelos vícios do mundo profano não consegui ir tão fundo quanto almejava mas, decerto, a Iniciação e a nova vida maçônica estão me ajudando nesta constante busca de tornar cúbica a minha pedra.

Bruno Cordeiro Bezerra

A.’.M.’.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Bem dito


"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, 
nem dos corruptos, nem dos desonestos, 
nem dos sem ética.
O que mais preocupa é o SILÊNCIO DOS BONS."

Martin Luther King

O Aleph


"Mergulharás no porão. Já sabes, é indispensável o decúbito dorsal. Também o são a escuridão, a imobilidade, certa acomodação ocular. Tu encostas no chão de tijolos e fixas o olhar no décimo nono degrau da tal escada. Saio, baixo o alçapão e ficas sozinho. Se algum rato te meter medo, não tem importância! Em poucos minutos vês o Aleph. O microcosmo dos alquimistas e cabalistas (...)

O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminuição de tamanho. Cada coisa (o cristal do espelho, digamos) era infinitas coisas, porque eu a via claramente de todos os pontos do universo. Vi o populoso mar, vi a aurora e a tarde, vi as multidões da América, vi uma prateada teia de aranha no centro de uma negra pirâmide, vi um quebrado labirinto (era Londres), vi intermináveis olhos próximos perscrutando em mim como num espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me refletiu, vi num pátio da Rua Soler os mesmos ladrilhos que, há trinta anos, vi no saguão de uma casa de Fray Bentos, vi cachos de uva, neve, tabaco, listas de metal, vapor de água, vi convexos desertos equatoriais e cada um dos seus grãos de areia, vi em Inverness uma mulher que não esquecerei, vi a violenta cabeleira, o altivo corpo, vi um cancro no peito, vi um círculo de terra seca numa vereda onde antes existira uma árvore, vi numa quinta de Adrogué um exemplar da primeira versão inglesa de Plínio, a de Philemon Holland, vi, ao mesmo tempo, cada letra de cada página (em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o fato das letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneo, vi um poente em Querétaro que parecia refletir a cor de uma rosa em Bengala, vi o meu quarto sem ninguém, vi num gabinete de Alkmaar um globo terrestre entre dois espelhos que o multiplicam indefinidamente, vi cavalos de crinas redemoinhadas numa praia do mar Cáspio, na aurora, vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha enviando bi­lhetes-postais, vi numa vitrina de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de alguns fetos no chão de uma estufa, vi tigres, êmbolos, bisontes, marulhos e exércitos, vi todas as formigas que existem na terra, vi um astrolábio persa, vi numa gaveta da escrivaninha (e a letra fez-me tremer) cartas obscenas, claras, incríveis (...)  vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a terra, e na terra outra vez o Aleph e no Aleph a terra, vi o meu rosto e as minhas vísceras, vi o teu rosto e senti vertigem e chorei, porque os meus olhos tinham visto esse objeto secreto e conjetural cujo nome os homens usurpam, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo”.

Jorge Luís Borges in O Aleph

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

São João Batista

A vaidade, o orgulho, ou até mesmo, a soberba, jamais estiveram presentes em São João Batista e podemos comprová-lo pelos relatos evangélicos. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (Jo 3, 28) e " não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo 1,27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29).

Maçons famosos

Mozart talvez seja o mais popular dos músicos eruditos. Um verdadeiro gênio que, não obstante todas as dificuldades que atravessou em seus poucos anos de existência física, criou composições elegres que exaltam a vida. Uma ótima maneira de definir sua obra é a célebre sentença que diz que 

“quando os anjos tocam para Deus, eles tocam Bach

mas, quando tocam para seu próprio prazer, tocam Mozart”.

     Joannes Chrysostomus Wofgangus Theophilus, que ficaria conhecido como Wolfgang Amadeus Mozart, nasceu em Salzburgo, na Áustria, em 27 de janeiro de 1756. Conta-se que num domingo, ao voltar da missa com o amigo trompetista Andreas Schachtner, Leopold encontra o filho, todo manchado de tinta, a rabiscar furiosamente suas folhas de partitura. Quando ia repreendê-lo, percebeu que o menino havia composto um concerto para cravo. “Mas isso não é muito difícil de interpretar?”, pergunta o pai. Mozart responde que não e senta-se imediatamenet ao piano para demonstrar. Em outra ocasião, Leopold e Schachtner tentavam interpretar um trio a dois, quando Mozart pediu para participar, dizendo que para ser segundo violino não precisava aprender nada. E provou o que dizia.

     Mozart jamais foi à escola ou teve outro professor que não o próprio pai. Com apenas sete anos já compõe e toca cravo, órgão e violino. Já havia passado por Viena e tocado para o Imperador Francisco I, que o chamou de pequeno mágico, e no Palácio de versalhes, em Paris. Em abril de 1764 a família segue para Londres, onde Mozart compõe sua primeira sinfonia. É neste período que, influenciado por Johann Christian Bach (filho de J. S. Bach e também maçom), Mozart se apaixona pela ópera italiana. A Flauta Mágica é inspirada nos ideais maçônicos.

O adiantado da hora

 

Vivemos na era da pressa; da velocidade. Tudo tem que ser rápido e a urgência de nossas inúmeras tarefas nos impedem de parar para pensar: Pra onde vamos? Por que vivemos nesse ritmo acelerado?

Chico Buarque, compositor e poeta da nossa melhor música, já traduzia com incrível lucidez, anos atrás, o momento em que vivemos hoje:

 

Tem dias que a gente se sente

Como quem partiu ou morreu

A gente estancou de repente

Ou foi o mundo então que cresceu...

 

E segue, o poeta, decifrando o viver atormentado do homem moderno, preso à Roda Viva:

 

A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega roda viva

E carrega o destino pra lá...

 

Presos na roda viva da existência, esquecemo-nos de como era mais simples o nosso viver. O sucesso profissional não era uma cobrança onipresente e sufocante; fama e dinheiro eram conseqüências naturais da dedicação ao trabalho; conversávamos com nossos amigos ao vivo e em cores, desfrutando o prazer de agradáveis bate-papos noite adentro; telefone celular e internet eram coisas muito distantes, porém, havia mais proximidade entre as pessoas. As famílias sentavam-se à noite na calçada para conversar e o nosso espírito ficava leve ao contato diário com nossos familiares e vizinhos. Dormia-se bem e acordava-se melhor ainda.

Mas a pressa varreu nossos hábitos simples. Muita vez, trocamos o almoço em casa com a família por uma refeição fast-food; não temos tempo para ver nossos filhos crescerem e eles não sabem o que é ter uma conversa com os pais. Não lembramos da última vez que assistimos, tranqüilos, ao espetáculo diário do pôr-do-sol; não nos detemos para observar o orvalho matinal sobre as plantas; não miramos as estrelas em noites claras; não visitamos nem fomos visitados pelas pessoas que estimamos. Estamos sempre apressados sem se dar conta de que o que conta mesmo é a qualidade de vida.

Fomos aceitos na Maçonaria porque nos apresentaram como homens livres e de bons costumes. Livres-pensadores nos tornamos e desejamos compartilhar nossas idéias com os IIr.˙. durante a sessão semanal. Na condição de maçom, dotado de bons costumes, não podemos esquecer que saber ouvir com atenção e paciência é uma qualidade que denota educação e cordialidade.

Dentro do templo, em sessão aberta, vivenciamos um tempo diferente que não está sujeito à passagem ordinária. Portanto, não procede a argumentação que impede a manifestação dos IIr.˙. , durante a palavra a bem da ordem em geral e do quadro em particular, sob a alegação do adiantado da hora. Ao sair de casa para assistir à sessão, devemos nos preparar espiritualmente e estar dispostos não somente a assistir mas, também, participar da sessão. Não precisamos nos impacientar, consultando o relógio a todo instante, irritando-nos, às vezes, quando os IIr.˙. se manifestam. Pratiquemos a Liberdade.

Entretanto, os IIr.˙. que fazem uso da palavra devem ter uma fala que prime pela objetividade, clareza e concisão. Deve tratar de temas realmente relevantes para a Ordem e ser breve, dando tempo a que outros se manifestem. Discursos longos e repetitivos tornam-se enfadonhos, cansando qualquer pessoa, mesmo as de boa-vontade. O Ir.˙. deve ter em mente que outros precisam de espaço para se manifestar. Pratiquemos a Igualdade.

A sessão maçônica pode ser frutífera e proveitosa para todos. Basta, para tanto, que os IIr.˙. estejam imbuídos da necessidade de vibrar numa mesma sintonia de paz, de serenidade e de equilíbrio. O precioso tempo deve ser aproveitado com inteligência e bom senso. Nem se alongar demais, nem suprimir momentos que constam no ritual, como a palavra a bem da ordem e o tempo de estudo, para que a sessão termine mais cedo, pelo adiantado da hora. A sabedoria dos antigos nos ensina a trilhar o caminho do meio. A reunião é um meio para que exercitemos a verdadeira união. Pratiquemos a Fraternidade.

Deixemos, portanto, meus IIr.˙. que o Cântico das Subidas faça realmente sentido em nossas vidas.

 

Vede como é bom, como é agradável

Habitar todos juntos, como irmãos.

É como o óleo fino sobre a cabeça,

Descendo pela barba,

A barba de Aarão, descendo

Sobre a gola de suas vestes.

É como o orvalho do Hermon, descendo,

Sobre os montes de Sião;

Porque aí manda Iahweh a bênção,

A vida para sempre.[1]

 

 

Paulo Moura .˙. M .˙. M .˙.

 

 



[1] A Bíblia de Jerusalém. Salmo 133 (132), A vida fraterna. 3ª impressão. 1987. Edições Paulinas. São Paulo. Pp. 1098-1099.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

1...2...3

No princípio era o "UM", Não Revelado e Não Manifestado. E o "UM", a Energia Primordial, dividindo-se nas suas duas polaridades, deu origem ao "Dois" que, manifestando-se num Plano, deu origem à forma engendrando o "Três".

O bom ladrão

17/09/2008 - 10h05

Ladrão devolve carro furtado ao encontrar criança no banco de trás

Do UOL Notícias

Um ladrão chamou a polícia ao perceber que, no banco de trás do veículo que havia furtado, dormia um menino de cinco anos, durante a madrugada de hoje, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Segundo informações do portal Zero Hora, ele ligou para a Brigada Militar informando onde abandonaria o carro.

O veículo pertencia a um casal que, segundo o Zero Hora, estava em um bar na hora do furto. O policial que atendeu à ocorrência chegou a afirmar que o ladrão teria reclamado da irresponsabilidade do casal. "Ele ligou com um tom de indignação pelo absurdo da criança estar sozinha dentro do carro àquela hora", afirmou Cláudia Crusius, delegada do 2º DP, onde o boletim de ocorrência foi registrado.
 

O ladrão furtou o veículo, um Monza azul 1983, por volta das 2h, no centro de Passo Fundo. Ao perceber a presença do menino, ele ligou para o 190 e informou que deixaria o carro na Rua 7 de Agosto, 488, no bairro Operário. No boletim de ocorrência não consta que o ladrão tenha levado algum objeto de dentro do veículo.
 

Quando a Brigada Militar encontrou o Monza, o garoto ainda estava dormindo. O carro estava com documentos vencidos e acabou guinchado. O menino foi levado para Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento e a mãe foi chamada a se apresentar às 10h no Conselho Tutelar.

A polícia ainda não encontrou o ladrão. "A princípio, vamos ter que apurar a situação. Mas, pelo insólito da situação, eu já adianto que não vou pedir a prisão", disse a delegada.

  


Definitivamente, há algo estranho no ar que respiramos; nos dias que se passam; no mundo em que vivemos. As inversões de valores e de comportamentos são sinais de que vivemos uma dramática transformação planetária, anunciada há tempos, pelos profetas bíblicos; pelos Iniciados nos Mistérios Sagrados; pela tradição esotérica; pelos sacerdotes orientais, enfim, pela Antiga Sabedoria.

Não há como negar o componente engraçado do “bom ladrão” que devolve o produto do roubo por constatar a irresponsabilidade dos pais, que deixaram o filho de cinco anos dormindo no banco de trás para embriagarem-se à vontade.

Mas o caso é sério. Pede-nos profundas reflexões sobre diversos aspectos da existência:

- Somos tão egoístas, pensamos somente nos nossos prazeres, a ponto de descuidar das criaturinhas indefesas confiadas à nossa responsabilidade?

- Esquecemos que a paternidade responsável é um dever intransferível?

- Que exemplo daremos aos nossos filhos menores, levando-os aos bares?

- O que ainda entendemos por disciplina?

- Que valores morais nós, pais, herdamos de nossos pais e os praticamos?

- O que representa a família hoje em dia?

- Ladrão tem ética?

- Ladrão tem sentimento?

- Onde vamos parar?

Estas e outras questões mais, poderão suscitar sérias reflexões diante de uma notícia tão incomum. Pode parecer bobagem, porque somos bombardeados a toda hora com notícias insólitas. Mas não devemos anestesiar o nosso espírito, achando que tudo o que se passa é normal. Não podemos abdicar do sagrado direito de indignarmo-nos e deixar de tentar fazer alguma coisa para mudar a situação caótica.

Ou perderemos a dignidade de ser humanos.

 

Paulo Moura.:


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sesquicentenário


A Maçonaria piauiense estará comemorando, neste 29 de outubro, 150 anos de fundação com vasta programação. Nessa mesma data nos idos de 1858, um grupo de abnegados Maçons da Loja Humanidade e Concórdia de São Luís-MA trazia a idéia luminosa de fundar uma Loja maçônica no Piauí. Nascia, então, a Loja Caridade II N° 0135, que seria a loja-mãe da maçonaria em terras piauienses.

Poesia do patrono

Olhos azuis

O olhar que os olhos teus agora inspira
com os seus clarões de cimitarra e alfanjes,
esconde sob trêmula safira
mistérios de um pagode hindu do Ganges.

É a causa suprema por que tanges
as sete cordas da divina Lira,
e é por ele que, embalde, te constranges
numa inocente e tímida mentira.

É azul. Tem a cor das águas mansas
e, como o olhar risonho das crianças,
fala, brinca, sorri, nos olhos graves.

Lembra um canto do céu, quando amanhece,
pois se deparo e fito me parece
que acorda o dia e estão cantando as aves.


Abdias Neves

Nosso patrono


Abdias da Costa Neves

 

Abdias Neves é estrela de primeira grandeza nas letras piauienses.

Nasceu em Teresina, a 19 de novembro de 1876, sendo filho de João da Costa Neves, modesto funcionário público, e Delfina Maria de Oliveira Neves.

Muito cedo ainda conheceu a dureza da vida e a enfrentou com coragem e galhardia muito acima da sua idade e de suas próprias forças. Aos 15 anos ficou órfão de pai.

Fez o primário e os preparatórios em sua terra natal.

Seguiu depois para Recife, matriculando-se na Faculdade de Direito, ali. Muito inteligente e aplicado aos estudos, seu curso superior foi uma colheita ininterrupta de louros.

[...] foi o único acadêmico aprovado com distinção numa turma de 39 bacharelandos, dos quais 26 foram reprovados e 12 aprovados simplesmente.

[...] Voltando a Teresina, Abdias foi juiz de direito interino de Piracuruca de 1900 a 1902, juiz substituto federal de 1902 a 1914 e secretário do Governo em 1914.

Em 1915 candidatou-se a deputado federal, mas as injunções políticas do momento mudaram a sua candidatura da Câmara para o Senado e ele foi eleito senador da República para o período de 9 anos.

[...] Tocava flauta, violino e violão. Era exímio dançador, figura obrigatória nos salões de baile, principal diversão da capital naquele tempo.

Foi um grande jornalista. Aliás, para ele o jornal era tudo. Sem jornal não podia viver: sentia-se amesquinhado, desamparado, diminuído, desarmado como peixe fora d’água. O jornal era a sua arma predileta para comentar os fatos, orientar a opinião pública, fazer literatura. Belíssimas páginas literárias suas estão esparsas em A Pátria, O Monitor, A Notícia, O Dia e Litericultura.

[...] Abdias teve os seus momentos de pura arte e produziu belos versos, cumprindo assim entre os homens a sua “missão de sol” na expressão de Martins Napoleão.

 

in Monsenhor Chaves Obra Completa. 2ª ed. Teresina, Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1998. p. 607-609.

Artigo do dia

O primeiro passo

 

Vedes, estes homens em Loja, de semblante triste, feições cansadas e um olhar baço carregado de comiseração que lançam sobre nós, iniciantes nos Sagrados Mistérios. São homens curtidos no tempo, calejados nas histórias vividas, cismados em suas indagações íntimas sem, contudo, obterem respostas satisfatórias. A Ordem a qual pertencemos nós, iniciantes, e eles, desapontados buscadores da Verdade, deixou muitas lacunas entre o real e o imaginário. Os vãos que a Ordem continha foram preenchidos com suas próprias criações mentais, devaneios e utopias. Criou-se, daí, uma construção disforme, argamassada com idéias fantasiosas; tão frágil, essa construção, que o leve sopro da razão poria abaixo a sua pretensão a fortaleza inexpugnável.

Para estes homens tristes, o tempo havia dissipado a esperança de conhecer o decantado Segredo e não havia como retroceder para tentar de uma maneira diferente. Samsara não pára. Agora, seria apenas cumprir com formalidade o papel que lhes cabia nos encontros semanais. O desapontamento fez-se superior às suas próprias forças e nenhuma motivação seria suficiente para tirá-los da letargia em que se encontravam.

Então, é isso?! Recuso-me a crer no engodo proposital, na mistificação plantada e adubada em nossa alma sequiosa da Verdade. Tem que existir algo além das aparências que desmascare o simulacro da realidade. Todavia, a vontade de conhecer se apodera de mim como um fogo, abrasando o meu íntimo e constitui-se no combustível que move meus três passos.

Pedirei para adentrar o misterioso templo; baterei com firmeza, pois sei de onde vim e para onde vou; buscarei com simplicidade a verdade que se oculta aos olhos profanos. Ao entrar, seguirei com passos retos e firmes em direção à Luz que tanto anseio. Há de me acompanhar a determinação e a vontade firme, auxiliando a obra da minha inteligência. Há de me acompanhar, sobretudo, o esforço para a mudança que deve se operar em meu espírito tornando-me merecedor de adentrar outros círculos, profundos e sabiamente invisíveis.

Vejo-me e não me reconheço como tal. Os olhos ainda estão obnubilados para que eu possa, pouco a pouco, ir me acostumando à intensa claridade. É meio-dia. Não faço sombra a ninguém e ninguém me faz sombra. Estamos nivelados pela luz no seu zênite e não há distinção, nem jóias, nem cargos, nem o vil metal que alimenta a ilusão de ter e ser.

Oriento-me com segurança.

Agora vejo, entre os rostos cansados, fácies radiantes, sorrisos de bondosa compreensão e olhos que nos velam com ternura e esperança. O tempo também passou para estes Iniciados — favorecendo-os — mas eles souberam aproveitar cada signo, cada significado e fazê-los significantes em suas vidas.

Reconheço-os como tal.

Entretanto, se me faltarem forças e tudo o que move meu desiderato, restará apenas juntar-me aos homens de semblante triste, feições cansadas, com esse estranho olhar de comiseração por mim mesmo, que sequer passei do átrio. Que não dei nenhum passo a caminho da Luz.

 

 

 

Teresina, 01 de outubro de 2008

Paulo Moura .˙.

M.˙. M.˙. – Caridade II

GEM Abdias Neves